O que é preciso para estar em uma das LinkedIn Top Companies?

08 de Junho de 2017

O que é preciso para estar em uma das LinkedIn Top Companies?

O ano de 2016 foi agitado para as empresas de recrutamento - e não necessariamente por bons motivos. Com a economia brasileira em grave recessão e desemprego recorde, encerrando o ano com mais de 12 milhões de sem trabalho e chegando a 14 milhões em abril de 2017, a dinâmica de recolocação de profissionais passou por profundas transformações.

“É difícil estabelecer um perfil, mas dá pra notar que setores como o automotivo e da construção civil, que têm um maior nível de desemprego, são aqueles em que há mais candidatos disponíveis para novas oportunidades”, diz Caio Arnaes, gerente sênior da empresa de recrutamento Robert Half.

Apesar do grande número de profissionais no mercado, ainda há setores bastante aquecidos na busca por candidatos com habilidades específicas. “As posições de marketing e vendas começaram a ser mais demandadas, assim como as áreas de relacionamento com fornecedores e compras”, diz Arnaes.

De acordo com Roberto Cunha, diretor executivo da Hiring Especialistas em Recrutamento e Seleção, há grande demanda nas áreas comercial, financeira, TI e operações, com destaque para áreas de compliance, controles internos e riscos operacional e de crédito, marketing digital, desenvolvedores para plataformas digitais, UX, inteligência artificial e data science.

Em duas áreas específicas, a alta demanda pode ser interpretada como consequência direta da crise econômica e do momento político conturbado vivido pelo país.

“Há uma grande demanda na área financeira, principalmente nos setores de crédito e compliance. No caso do crédito, porque as empresas sentem necessidade de aumentar seu fluxo de caixa. E no caso de compliance devido aos diversos escândalos de corrupção que surgiram recentemente”, afirma Arnaes.

Para o diretor executivo da Hiring, as empresas têm buscado profissionais resilientes, com capacidade de rápido aprendizado e adaptação, orientados ao resultado. Entre as habilidades mais procuradas está a capacidade de relacionamento. “Se relacionar, é cada vez mais uma habilidade exigida, seja entre áreas, negociação com o líder, liderados, cliente. Ao contrário do que pensamos, quanto mais automatizamos os processos, maior é ganho de eficiência e demanda para construir sólidas relações humanas”, diz.

O perfil profissional do candidato, por sua vez, passar a receber cada vez mais atenção. Os recrutadores olham cada vez mais para as características profissionais dos postulantes às vagas. Na Renner, por exemplo, a busca é por candidatos que estejam alinhados com os valores da empresa. "Procuramos candidatos engajados, motivados a assumirem desafios e tenham atitude de 'donos do negócio', que se identifiquem com o dinamismo do varejo e da moda", afirma Carolina Vidal, responsável pelo RH do grupo.

Fabio Lacerda, diretor de RH & Empregabilidade da Kroton, afirma que a empresa está procurando colaboradores com flexibilidade, adaptabilidade e orientação para resultados. "É importante conciliar a visão do cenário geral com profundidade técnica".

O outro lado

Do ponto de vista dos candidatos, um dos benefícios mais procurados são políticas de home office. “Também são muito procurados auxílio educação, iniciativas de desenvolvimento e treinamento, política de remuneração variável e convênio médico executivo”, diz Cunha.

Em tempos de crise, porém, as prioridades podem mudar. “O que temos visto bastante é que o primeiro benefício que os candidatos têm procurado é mesmo o próprio salário. Mais que plano de saúde, carro da empresa, previdência privada, o importante para quem está há meses sem receber é mesmo ter um salário”, afirma Arnaes.

Outra consequência observada no último ano foi a queda na renda média oferecida pelas empresas. “Grande parte dos profissionais têm aceitado remunerações abaixo de seus empregos anteriores. Quem está no mercado hoje dificilmente consegue vagas para remuneração maior”, diz o gerente sênior da Robert Half. “Aqueles que recebiam entre 10 e 15 mil reais por mês, por exemplo, têm baixado suas expectativas de salários para algo entre 8 e 13 mil.”

Mas nem tudo é negativo na crise: na opinião de Cunha, ela contribui positivamente no aumento da reflexão e maturidade profissional. “Em um mercado mais aquecido, as pessoas não toleravam muito, estavam dispostas a mudar de emprego mais facilmente, o que não promovia a conclusão de ciclos e crescimento comportamental. Hoje as pessoas estão dispostas a dar um passo atrás, refletir os pontos de desenvolvimento e se preparar para às oportunidades”, conclui.